Microsoft e seu segundo produto inovador
Escrevi esse post pra responder ao Manoel Netto, do Tecnocracia. Acho interessante quando ocorrem debates inter-blogue e convido todos que estão lendo esse artigo e possuirem um blog a publicarem suas próprias conclusões acerca do assunto
Se houver alguma, publico o link aqui.
Atualização: O futuro cada vez mais próximo, colaboração no debate por Aguinelo Pedroso.

A Microsoft por muitos anos foi dedicada a copiar descaradamente todos os conceitos de seus concorrentes. Desde o Windows até o Zune e o Windows Vista tudo que ela fez foi tentar atropelar seus concorrentes usando cavalos clonados.
Pela primeira vez ela lança um produto com uma idéia bastante inovadora. Pela primeira vez a sensibilidade ao toque é levada ao extremo em um produto comercial como o Surface.
As inovações no campo de multitoque multiusuário do Surface, que permitem que várias pessoas o operem são bastante interessantes, mas isso vai além de organizar fotos e vídeos e jogar poker. O Surface detecta objetos reais colocados sob ele, identifica os que também são computadores e interage com objetos.
Se levarmos em conta que tudo está se tornando cada vez mais móvel, o Surface talvez possa ser o contraste ideal com essa mobilidade. O Surface integra-se com dispositivos móveis como câmeras digitais e smartphones através de conexões sem fio, automaticamente. Ele tem um papel importante como doca, não estação de trabalho.
Há também uma tendência mundial de descarte ao computador pessoal destkop. Hoje em dia é cada vez mais comum usuários comprarem notebooks ao invés de desktops.
Em casa eu uso o notebook como desktop plugando-o no monitor, teclado e mouse externos. Criei minha espécie de doca e adoraria que tudo fosse sem fios e cabos. Na verdade, não uso o notebook como estação de trabalho móvel, apenas para navegar na internet fora de casa.
No futuro, tecnologias como o Surface permitirão computadores completos muito menores do que os atuais. Tanto a tela quando o teclado serão projetados em uma superfície, você só precisará carregar o “projetor” que poderá ser até do tamanho de um celular. Em casa você colocará ele em uma doca que tornará tudo mais confortável, com tela e teclado reais para trabalhar.
Caso não seja necessário digitar, apenas transferir músicas, fotos, vídeos ou ler notícias, algo como o Surface pode ser uma doca alternativa muito mais atraente e que pode ser compartilhada por diversas pessoas no estabelecimento.
Se supormos que um dia cada pessoa terá um computador pessoal que reflete sua personalidade e carrega consigo suas preferências, ao docar vários portáteis em um Surface conectado à televisão, o mesmo poderia sugerir programas que agradem a todas as pessoas presentes, ou manter um histórico do que foi assistido e todos que assistiam para traçar preferências futuras.
Ao contrário do que o Manoel afirma, acredito que o Surface é muito comercial. O público alvo do Surface até o momento (que é uma mesinha, mas no futuro pode ser um celular com projetor) é estabelecimentos que necessitem de interfaces de toque melhores que as atuais. Imagine um metrô equipado com um painel que mostra o mapa da região e a integração entre as linhas com interação por multitoque!
Um exemplo que gostei bastante foi o do restaurante. Após o jantar os convidados colocam o cartão de crédito (provavelmente com um SmartCard) em cima de um dispositivo baseado no Surface e arrastam os itens que consumiram cada um pra um cartão. Sensacional!
O único porém do Surface é o preço. Tem valor aproximado de um carro o que o torna um investimento arriscado. Pra restaurantes e hotéis de vinte e nove estrelas pode virar uma boa prova de conceito.
Ah, o primeiro produto inovador da Microsoft? Origami.


31/5/2007 às 12:57 pm
Ótimo post, achei realmente muito bom, já vi uns 6 vídeos dele, e acho que a Microsoft – depois de muito tempo – acertou, vamos ver se eles mantem a diantera dessa tecnologia!
No mais é só mais uma inovação boa pra nós consumidores (e desenvolvedores)
31/5/2007 às 7:13 pm
O Surface é um ótimo conceito, isso eu disse por lá. Mas como produto é que é complicado. Quando se fala em comercial ou não comercial, estou avaliando o produto MS Surface e não a genial tecnologia por trás dele.
Também acho que a tecnologia num equipamento portátil (como um Tablet) seria show de bola, e com um apelo prático sensacional. O que achei tiro no pé foi fazer uma “mesinha de centro” virar um computador de 10 mil dólares.
Mas gostei do teu post. Blog é isso aí, conversação.
Abraço